Arturo Pérez-Reverte, o romancista mais respeitado actualmente em Espanha, está em Lisboa para promover o seu último romance A Rainha do Sul , que Edições ASA lançou em Outubro. Tive oportunidade de estar com escritor e ele falou-me sobre a personagem principal deste livro, sobre a luta de uma mulher num mundo de homens, sobre marginalidade e códigos de conduta.
Como surgiu o Pérez-Reverte escritor, como passou de repórter a romancista?
Nunca pretendi ser um escritor, não era essa a minha intenção. Era repórter e era leitor, lia muito. Depois de passar 21 anos em países em guerra, fiz-me um monte de perguntas que não tinham resposta e descobri um dia que escrevendo ajudava-me a reflectir e a ordenar a minha vida, que tinha sido muito desordenada durante 21 anos. Escrevi um romance, senti-me bem. Gostei da experiência e escrevi outro. Senti-me bem outra vez. O terceiro, A Tábua de Flandres, foi um bestseller internacional e isso deu-me independência para viver da literatura. Mudou a minha vida. Eu nunca quis ser escritor.
Como começou o romance A Rainha do Sul?
Como repórter, tinha muitos amigos poucos recomendáveis: mercenários e traficantes. Um dos meus melhores amigos é um mercenário português que mora em Moçambique. Entre os meus amigos também há narcotraficantes. Falando com eles num restaurante no México, ocorreu-me esta ideia: contar a história de uma mulher que está no mundo do narcotráfico. É a história de uma mulher num mundo muito masculino, porque o narcotráfico é um meio muito viril, de homens. É então uma mulher de conflitos mais evidentes. Para mim isso era muito mais interessante. Comecei a falar com os meus amigos, a perguntar-lhes coisas e a investigar o assunto.
Quanto tempo demorou a concluir o romance?
Normalmente, um grande romance ocupa-me um ano e meio ou dois anos.
O que lhe custou mais, preparar o romance ou escrevê-lo?
As duas coisas são difíceis. Eu sou um escritor profissional, não sou um artista. Isto é um trabalho e eu conto histórias de forma profissional. Levo o trabalho muito a sério. A parte da documentação é muito importante, porque sem documentação não se pode escrever o romance. E, neste caso, tive que falar com muita gente, ir a muitos sítios: aos Estados Unidos, a África, a Marrocos, ao México, a Espanha. Foi trabalhoso, mas também foi muito divertido. A parte mais aborrecida foi a escrita. Para isso tens de trabalhar em casa todos os dias. Penso que difíceis são as duas, mas o mais divertido é o começo, a documentação. Não tens nenhuma responsabilidade, tudo é possível, tudo está por acontecer, tudo é novo, tudo interessa. É como um namoro. No início tudo é mais interessante do que após cinco ou dez anos.
Quando estava a preparar o romance, durante as viagens, a sua vida correu algum perigo?
Tudo correu bem porque estava entre amigos. Os narcotraficantes são pessoas muito duras, mas também têm os seus códigos. Eu estava bem protegido. Os que me levaram eram pessoas de confiança, conheciam-me bem e sabiam que eu era um romancista, não um investigador, um bufo ou um polícia. Sabiam que eu era um romancista conhecido. Tive a sorte de a mulher de um narcotraficante mexicano ser leitora dos meus livros e então deu uma festa na sua casa, apresentando-me a muita gente e ajudando-me imenso.
Custou-lhe muito pôr-se na pele de uma mulher?
Não me pus completamente na pele de uma mulher, mas tentei ver o mundo a partir desse ponto de vista. Falei com muitas mulheres, reflecti muito sobre a condição da mulher, porque corria o risco de que me acontecesse aquilo que acontece muitas vezes na literatura: quando um homem cria uma personagem feminina, acaba por ser um homem transvestido de mulher. Eu não queria que isso acontecesse, queria que fosse uma mulher de verdade. Tive que fazer um longo e paciente esforço e penso que o consegui. Muitas mulheres dizem-me “Eu sou Teresa Mendoza”. Quando há mulheres que dizem isso, significa que ao menos com algumas eu o consegui.
Pode dizer-se que Teresa Mendoza era como aquela mulher do narcotraficante, que era sua leitora?
Não, mas o curioso é que depois detiveram uma mulher que era chefe de uma rede de narcotráfico e chamaram-lhe Rainha do Pacífico já depois de sair o meu romance. Às vezes a realidade confirma a posteriori a ficção. Ela era jovem, bonita e dura como Tereza.
Que diferença existe entre as mulheres do narcotráfico, como a Teresa Mendoza, e os homens traficantes?
Há muitas diferenças, o mundo do narcotráfico é muito masculino. Eu conheci muitas mulheres neste meio, mas não estão no topo, ocupam lugares intermédios. O narco é um mundo muito machista e muito difícil para uma mulher. Por isso, para mim era muito interessante contar esta história de forma credível.
Como é que ela alcança o topo, de que armas se serve? Da força?
A força não. A mulher é superior ao homem, tem um mecanismo de crueldade e de sobrevivência muito mais desenvolvido que o homem. A mulher é uma sobrevivente num mundo de homens, tem que lutar com as regras estabelecidas por homens. Ela luta usando as regras dos homens, mas com a crueldade de mulher.
Ela sobe na escala social e passa a ser aceite nas revistas do coração, como a Hola. Pensa que algo semelhante é possível?
Absolutamente, vivemos num mundo tão estúpido, que isso é absolutamente possível. Já ocorreu, não com mulheres narcotraficantes, mas mulheres de outra condição que alcançaram a fama por razões singulares. Foram elevadas a um posto importante e chamaram a atenção.
Essas mulheres que sobem na escala social, como é que isso acontece? Também é por razões duvidosas?
Há mulheres que ascendem por razões de família, por educação, por inteligência, por dinheiro, pelo matrimónio, por muitas razões. Mas também há muitas que ascendem por via marginal. Entre uma mulher que ascende, que é famosa, que sai na Hola, porque se está encostando a um milionário e uma mulher que joga a vida, admiro mais uma mulher esta última que a outra.
Que diferenças existem entra a sociedade do narcotráfico e a sociedade designada como normal?
Existem muitas diferenças. Mas surpreendeu-me uma coisa: no mundo do narco, no mundo da delinquência, no mundo marginal em geral, existe mais respeito pelos códigos internos e pelas normas. Às vezes, um traficante respeita mais estes códigos que uma pessoa presumivelmente honrada respeita os seus. Para mim, essa ética do delinquente, essa moral do traficante, essa dignidade do marginal, encanta-me muito. E o mundo do narcotráfico comprovou isso.
Mas também há muita gente nesse mundo sem qualquer escrúpulo…
Sim, há muitos hijos de puta absolutos, mas também há outros que têm as suas regras e essa gente é muita interessante narrativamente. Não digo que são melhores ou piores, apenas mais interessantes.
Pensa que estas pessoas depois se podem tornar homens respeitáveis?
Às vezes acontece. Não é normal. Conheci no México narcotraficantes que agora são homens respeitáveis, são até governadores.
Que romance gostou mais de escrever?
Não sei. Todo o escritor coerente escreve sempre o mesmo romance, sempre o mesmo livro. O que acontece é que escreve o mesmo livro em alturas diferentes da sua vida. O coração muda, a cabeça muda, a memória muda. Eu não sou a mesma pessoa que quando tinha 35 anos, mas ainda estou obcecado com as mesmas ideias: a dignidade no fracasso, esse género de coisas. Cada vez que falo desse tema, falo de maneira diferente, cada romance é distinto. Digamos que é como uma grande casa: é o mesmo território narrativo, mas cada romance é um compartimento diferente; um romance é para dormir, outro para ver televisão; são distintos, mas todos são a mesma casa. Esse é o meu território narrativo.
Como é sente na pele do escritor mais respeitado actualmente em Espanha?
Sinto-me bem. Não sou um académico da língua. Mas isso não afecta o fundamental: navego no meu veleiro, tenho a mesma vida, ando com os mesmos amigos, leio.
As pessoas exigem-lhe mais?
Antes também me liam. Sou escritor há treze anos, vendo mais de 300 mil exemplares por romance em Espanha. Isso não muda nada.
As pessoas que não lêem os seus livros, mas que conhecem o nome do escritor, a fama, estão sempre à espera de alguma falha para o atacarem?
Não sou muito atacado. Toda a gente tem alguma possibilidade de escândalo, toda a gente está em cima a ver se podem encontrar alguma coisa, mas eu vivo muito à margem. Não levo uma vida literária, não vou a conferências com o tema A Narrativa no Próximo Milénio ou a jornadas literárias. A mim isso passa-me ao lado. Às vezes salpicam-me, mas nada mais.
Fiz uma pequena confusão na posta sobre o Franco. Ele chama-se Francisco Franco (e nasceu mesmo em Ferrol no Norte da Galiza) e não José António. Este último era o líder dos falangistas e filho do antigo ditador Miguel Primo de Rivera, o ditador espanhol entre 1923 e 1930. José António Primo de Rivera foi capturado pelos republicanos a 6 de Julho de 1936 e executado a 20 de Novembro do mesmo ano.
Pelo pequeno lapso peço as minhas desculpas.
Pois é, parece que o nível da discussão na blogoesfera está a baixar em demasia, como pude contastar depois de uma volta pelos links aí à esquerda.
Meus senhores estará na hora de acalmar um pouco?
Sendo um leitor assíduo do Guerra Civil Espanhola, desafiei o Tiago Ribeiro e os seus leitores colaboradores a elaborarem uma lista com as estátuas e bustos do Generalíssimo Franco ainda expostas em público em Espanha.
Sei que existe uma em Ferrol, terra natal do ditador José António (curiosamente homónimo do meu irmão), e que até existe um movimento popular com o intuito de a remover.
Penso que seria interessante fazer esta contabilidade, mas após uma breve pesquisa no google apenas descobri referências a inúmeras estátuas do Caudilho espalhadas por toda a Espanha, mas sem referência à sua localização exacta.
Por isso, se tiver alguma informação sobre esta matéria, ou sobre ruas com o nome de Franco, por favor envie essas informações para o meu mail ou para o do Tiago Ribeiro.
Obrigado pela sua colaboração.
P.S. Faz-me uma certa confusão a pouca reflexão por parte da sociedade espanhola acerca da guerra civil e da ditadura. Quantos fantasmas e ódios não estarão enterrados, neste momentos, nas terras de nuestros hermanos.
Não deixa de ser estranho que exista um juiz mova processos a torto e a direito contra tudo o que é abusador de direitos humanos quando, para meu conhecimento (e posso estar enganado, mas por pouco), nunca foi formada uma única acusação contra qualquer torcionário espanhol.
Período Soviético: media são orgãos oficiais do partido
Durante o regime comunista, o Estado soviético controlava todos os meios de comunicação e usava-os para difundir as suas decisões e facilitar a execução das directivas governamentais sobre a economia, a segurança nacional e as funções administrativas governamentais. O Ministério das Comunicações era responsável pela maioria das comunicações e o Ministério da Defesa controlava as comunicações militares. Outros Ministérios controlavam elementos especializados da infra-estrutura da comunicação.
Moscovo controlava as comunicações e as várias jurisdições subnacionais (Estados soviéticos, regiões e províncias) gozavam de pouca autonomia. Esta centralização forçou a União Soviética a adquirir os meios para a distribuição de sinais sobre uma vasta área e forneceu o ímpeto para o desenvolvimento das comunicações por satélite, que começou com o lançamento do sistema de comunicação por satélite Molniya em 1965. Apesar do sucesso do sistema, a tecnologia soviética foi incapaz de corresponder às crescentes exigências de informação na década de 80, tendo sido necessário importar equipamento digital do Ocidente.
Os jornais, durante este período, estavam sob total controlo do Estado. Os maiores jornais, como o Pravda, Izvestiya, Krazna Zvezda e Komsomol'skaya Pravda, eram orgãos oficiais do partido ou de agências governamentais. A rádio e a televisão eram monopólio do Estado. Nos finais da década de 80 este controlo começou a enfraquecer à medida que histórias detalhadas sobre casos como o do desastre de Chernobyl chegavam ao público, algo que era impossível antes dos tempos da glassnot de Gorbatchov.
A década de 90: respira-se alguma liberdade
Após setenta e cinco anos de controlo estatal, com o colapso da União Soviética em finais de 1991, os meios de comunicação viram a sua actividade ser cada vez menos restringida. Os media começaram a desempenhar um papel fundamental para a formação da opinião pública acerca de acontecimentos que marcaram a sociedade russa da década de 90, tais como o conflito na Tchetchénia e as crises económicas e políticas.
Neste ambiente de liberdade de expressão e de opinião, figuras públicas como o Presidente da Federação, Boris Ieltsin, e acções governamentais como a campanha militar no Cáucaso foram alvo de fortes críticas e a deterioração do meio-ambiente no país, a saúde pública, a defesa nacional e a economia foram alvo de fortes críticas.
No entanto, os governos centrais, regionais e locais exerciam uma forte pressão sobre os media para alterarem a cobertura de certos assuntos. Como muitas empresas mediáticas ainda continuavam a depender do apoio governamental, essas pressões eram muitas vezes eficazes.
Nos primeiros anos do período pós-soviético, os mais importantes jornais apresentavam abordagens diferentes dos assuntos mais críticos. Entre os mais influentes estavam o Isvestya (antigo orgão oficial do Politburo, mas que em 1991 foi comprado pelos seus trabalhadores, tendo em1995 uma tiragem diária de 605 mil exemplares), o Nezavisimaya Gazeta (55 mil exemplares em 1995) e o semanário Argumenty i Fakty ( com uma circulação de 3,2 milhões em 1995).
Em meados da década, uma atmosfera de intensa competição trazia mudanças na imprensa. Em 1995, havia uma estimativa de 10 mil jornais e periódicos registados, incluindo mais de vinte diários publicados em Moscovo. Os milhares de pequenos jornais regionais que apareceram depois de 1991 eram afectados pelas baixas receitas de publicidade, altos custos de produção, público indiferente e intensa pressão das autoridades locais para moderar os conteúdos. Mas, em meados da década, os jornais locais ganharam leitores devido à crescente independência das regiões face ao poder central.
Em 1995, o diário moscovita Nezavisimaya Gazeta, que durante cinco anos se manteve fiel ao seu nome (jornal independente) por recusar publicidade e subsídios estatais, foi forçado a fechar devido à quebra da sua circulação e ao facto de muitos dos seus jornalistas de topo terem aceites posições mais lucrativas noutros sítios. O jornal voltou depois ao activo após ter sido comprado por um consórcio bancário liderado por Boris Berezovsky, que na altura tinha laços estreitos com o governo.
O Pravda, antigo orgão oficial do Partido Comunista e que ainda se situa no campo dos anti-reformistas, passou por numerosas crises no início da década. Comprado por uma editora grega em 1992, a sua circulação caiu de cerca de 10 milhões nos anos 80 para cerca de 165 mil em 1995. Após ter mudado de nome para Pravda 5 em 1996. o jornal deixou de ser tão pro-comunista. O declínio do Pravda deixou o Sovetskaya Rossya e o Zavtra como orgãos principais da facção anti-reformista no Parlamento.
No entanto, ainda existem orgãos oficiais do governo. O Rossiyskaya Gazeta, o altamente subsidiado jornal do governo, publica a maior parte dos documentos oficiais, incluindo leis e decretos. O Rossiyskiye Vesti, orgão oficial do gabinete do presidente, tem uma tiragem diária de 150 mil exemplares, sendo que os dois jornais assumem posições fortemente pro-governamentais. O terceiro jornal oficial nacional, Krasnaya Zvezda, representa o Ministério da Defesa e ganhou uma reputação de ser também pro-governo e conservador.
Apesar dos jornais russos ofereceram uma diversidade de opinião, a qualidade do jornalismo na Rússia mantém-se baixa e pouco objectiva. Geralmente os jornalistas não verificam as informações fornecidas pelas fontes ou o seu acesso a fontes relevantes é-lhes negado. Um relatório oficial de 1995 sobre a liberdade de imprensa indica que o acesso de repórteres sem contactos favorecidos não têm um acesso melhor a pessoas ligadas ao Estado que durante o período soviético. Muitos jornais também não fazem uma clara distinção opinião e informação e, segundo uma reportagem publicada em 1995 na revista Zhurnalist, muitos têm alguma espécie de ligação a um partido ou facção.
A rádio e a televisão russa passaram também por profundas mudanças, atravessando um processo de descentralização a nível regional e local.
Em meados da década, três grandes televisões estatais forneciam a maior parte da programação do país, nomeadamente a ORT (televisão pública russa), a RTR (televisão estatal russa) e a Televisão de São Petersburgo, que serve fundamentalmente a zona metropolitana de São Petersburgo.
Em 1995, a ORT foi parcialmente privatizada, sendo 49 por cento das suas acções vendidas ao oligarca Boris Berezovsky, mas a companhia manteve-se sob controlo estatal.
O processo de privatização levou a que uma grande percentagem de acções fosse parar às mãos de bancos e de poderosos empresários, que formavam impérios mediáticos e usavam as suas relações privilegiadas com o governo para exercerem pressões para que se procedesse a uma maior privatização. Em 1996, os dois mais poderosos impérios mediáticos eram liderados pelo antigo banqueiro Vladimir Gussinski, líder do grupo Media-Most, que incluía a NTV (televisão independente) e vários periódicos proeminentes, e Boris Berezovsky, um empresário do ramo automóvel cuja organização, Logaz, controlava a ORT, bem como bancos, petróleo, aviação e imprensa escrita.
As companhias independente desempenharam um papel importante na televisão e rádio russas. Em 1995, existiam cerca de 800 empresas. Em 1996, os maiores canais privados de televisão era a TV-6, com uma audiência potencial de 60 milhões de telespectadores e a NTV, que servia a parte europeia da Rússia e tinha uma audiência potencial de 100 milhões de telespectadores, sendo que ambas as companhias foram fundadas em 1993.
As instalações de retransmissão pertencem ao Estado, sendo que as empresas de programação têm que pagar a difusão. O controlo sobre os retransmissores deu ao governo um poderoso meio para influenciar o conteúdo da programação. Isto levou a que as empresas independentes começassem a transmitir os conteúdos por cabo ou através de serviços de televisão por satélite, permitindo que televisões como a NTV, em cooperação com a corporação Inter TV, criassem a NTV Internacional, que chegava a telespectadores da América, Europa, Médio Oriente, Norte de África e Austrália, bem como a transmissão do canal NTV para a Europa e Médio Oriente.
Esta colaboração foi depois interrompida, tendo a NTV iniciado um processo para a constituição da NTV-Mir.
Além disso, os subsídios para as rádios e os canais de televisão têm vindo a diminuir ao longo da década.
Em 1992, existiam cerca de 48,5 milhões de rádio-transístores na Rússia. A programação radiofónica é fornecida por duas companhias estatais, a Televisão Federal e Serviço Radiofónico da Rússia e a Companhia de Televisão e Rádio Toda Russa (RTV). A Voz da Rússia é o maior serviço de difusão em língua estrangeira, oferecendo programação em trinta idiomas.
Nos anos 90, a televisão chegava a um número cada vez maior de russos com uma maior variedade de programação, existindo, em 1992, cerca de 55 milhões de televisores.
Para a maioria dos russos, a televisão é a sua principal fonte de informação. Apesar de ser controlada pelo Estado, a ORT, fornecia programação que às vezes era crítica do governo, tal como o programa apresentado por Alexandre Solzhenitsyn (autor de o Arquipélogo de Gulag).
Em meados da década, novas administrações levaram a um grande predomínio das posições do governo. O maior canal privado da altura, a NTV, era bastante elogiado no Ocidente pela sua cobertura imparcial, principalmente do conflito primeiro conflito na Tchétchenia, que levou a que outros canais abandonassem a visão pro-governamental do conflito.
A TV-6 tinha fundamentalmente programas de entretenimento e o seu fundador, Eduard Sagalayev, foi fortemente influenciado por uma parceria inicial com o magnata mediático americano, Ted Turner.
Existem ainda canais estatais em cada região e estimava-se que em 1995 estavam a operar 400 canais privados de televisão. Mais de metade dessas estações produziam a sua própria programação, oferecendo uma cobertura essencialmente local. Em 1994, foi criada o Sistema Independente de Difusão para ligar cinquenta canais com programação partilhada.
Em 1995, a administração da televisão estatal tinha-se tornado fortemente politizada, sendo que após as eleições legislativas de 1995, Boris Ieltsin demitiu o chefe da RTV, por ter transmitido uma visão da administração presidencial considerada por Ieltsin "injustamente negativa".
As eleições presidenciais de 1996 eram as primeiras para o cargo realizadas após a queda da União Soviética. Receando que a vitória de Gennady Zyuganov, candidato comunista e líder nas sondagens, pudesse pôr em causa a sua independência, os principais canais quase não cobriram a sua campanha e mesmo a NTV ajudou Ieltsin, calando as suas críticas durante a campanha. No entanto, após a reeleição de Ieltsin a cobertura crítica do conflito tchetcheno e de outros assuntos continuou.
A Ascensão de Putin e o fim da liberdade de imprensa
A cobertura jornalística do primeiro conflito tchetcheno (1994-96) contribuiu decisivamente para mudar a opinião pública russa a favor do fim da guerra. Este acção irritou tanto o governo como os militares e os abusos contra jornalista no Norte do Cáucaso foram-se sucedendo. Nos primeiros seis meses de 1995, foram detidos mais de cem jornalista, alguns deles estrangeiros, confiscado material de 46 jornalistas, enquanto que oito foram brutalmente espancados, sete mortos e dois desapareceram.
Esta repressão levou a que alguns orgãos de informação criticassem o governo, que teve como efeito que eles próprios fossem alvo de perseguição política, principalmente a NTV, impedida de aceder ao Kremlin e que se viu também alvo de uma investigação criminal por ter entrevistado Chamil Bassaev, um dos líderes da guerrilha tchetchena (o ano passado Rui Rio, presidente da Câmara do Porto, defendeu publicamente num debate organizado no âmbito de uma pós-graduação em Jornalismo Político este género de acção criminal). Além disso, o produtor de um programa satírico do canal crítico do governo foi acusado de evasão fiscal.
Este género de acção levou o diário Izvestiya a recusar-se a publicar uma carta do antigo comissário presidencial para os direitos humanos extremamente crítica da política de Boris Ieltsin.
Em 1996, o Serviço Federal de Segurança (FSB), herdeiro do KGB, toma controlo do serviço de operadores de telemóvel e pager em São Petersburgo, através da Agência Federal do Governo para e Informação (FAPSI), e tenta também controlar os servidores de internet, obrigando-os a fornecer capacidade para controlar e transmitir dados. Em 1998, estas empresas são obrigadas a aceitarem ou correm o risco de perderem a sua licença. Em Março de 1999, desaparece o director do único fornecedor de internet que se recusou a cooperar com a FAPSI. Em Janeiro de 200, Vladimir Putin, entretanto já presidente interino da Federação Russa, aprova a legislação que permite que o FSB, a polícia fiscal e os Serviços Externos de Segurança (SVR) possam aceder ao correio electrónico de "indivíduos suspeitos de práticas criminosas".
O controlo sobre a internet é apenas uma parte de uma política alargada e estratégica de controlo de todos os meios de comunicação na Rússia, que vai passar pela extinção dos poucos meios de comunicação independentes, pela perseguição por parte de tribunais, militares, serviços de segurança e políticos a vários jornalistas.
Inicia-se então o período de reorganização do espaço mediático russo, para o tornar mais manso e usá-lo como meio de propaganda tanto no interior do país como no exterior.
A segunda metade da década de 90, assistiu a um recrudescer da luta política na Rússia, provocado pela cada vez maior debilidade física e intelectual de Boris Ieltsin e pela questão da sua sucessão. Após a reeleição de Ieltsin, Boris Berezovzky, que contribui com 140 milhões de dólares para a campanha presidencial, conseguiu conquistar a influência política comprada pelo seu dinheiro e pelos seus orgãos de informação, tendo sido nomeado para o cargo de secretário do Conselho de Segurança presidencial substituindo o então já "dispensável" General Alexendre Lebed, um dos políticos mais populares da Rússia, responsável pelo final das hostilidades na Tchetchénia e encarado como o mais provável sucessor de Boris Ieltsin.
Os principais orgãos de comunicação do Ocidente acusavam constantemente, na altura, Berezovski de personificar o gangster oligarca russo, visão partilhada também pelos cidadãos russos, e de estar implicado na morte de um jornalista e de, segundo a Forbes, deixar um "rasto de cadáveres" atrás de si na construção do seu império.
Por seu lado, Vladimir Gussinsky líder do grupo Media-Most era descrito como ligado ao crime organizado, inclusive pela CIA, e que o seu grupo financeiro tinha um serviço de segurança composto por antigos membros do KGB e que era liderado por Filip Bobkov, criador do Quinto Directorado, antigo departamento do KGB responsável pela perseguição a dissidentes políticos, e que foi o organizador da polícia secreta de Fidel Castro.
Ambos os magnatas usavam na altura os seus impérios mediáticos para se digladiarem mutuamente, bem como para atingirem fins políticos. Após terem processados vários meios de informação no Ocidente e na Rússia, os dois oligarcas contratam prestigiadas empresas de relações públicas americanas para cuidarem das suas imagens e formam gabinetes de lobbying em Washington.
Em Agosto de 1998, Berezovsky aparece ligado a um golpe para reinstalar Viktor Chernormydin no cargo de primeiro-ministro, em colaboração com Tatiana Dyachenko, filha de Ieltisn e uma das mais poderosas figuras do país. O homem forte da Gazprom não conseguiu ser reconduzido no cargo pela Duma (Câmara Baixa do Parlamento), tendo Ielstin nomeado Evgenny Primakov, antigo director do FSB e jornalista (posição que usou durante a Guerra Fria para fazer espionagem no Médio Oriente).
Primakov inicia uma campanha para controlar os meios de comunicação na Rússia, conseguindo a nomeação de elementos da FSB em várias posições do poder e na ORT, na RTR, na Rádio Rússia e na agência noticiosa estatal ITAR-TASS. Inicia também um ataque contra Berezvosky, nomeadamente numa das suas empresas a Sibneftoil, e contra Lebed, tomando o controlo de indústrias na região de Krasnoyaorsk, onde o general era governador.
Ao mesmo tempo, relatórios sobre a imprensa no país indicam que a maioria dos jornalistas na Rússia ganham menos de cem dólares e que os orgãos se têm tornado propagandistas e agitadores em favor dos seus proprietários. Além disso, as lutas políticas e o colapso do mercado publicitário (devido à grave crise financeira provocada pela desvalorização do rublo) tornaram os jornalistas mais dependentes das autoridades.
Em Novembro de 1998, o The Independent, noticia que o FSB está a ser usado para levar a cargo assassinatos, raptos e extorsões a grande empresários, sendo que alguns dos seus oficiais indicam também que existe um plano para assassinar Berezovsky. Vladimir Putin, na altura director do FSB, confirmou que decorria uma investigação interna sobre o possível plano de assassinato, mas ameaçou processar os jornais e os oficiais dissidentes do FSB se as alegações não fossem provadas. O Komsomolskaya Pravda, de Vladimir Gussunski, noticia que tudo não passa de uma campanha para desacreditar a procuradoria geral, que investigava algumas firmas e bancos da Berezovsky.
Em Março de 1999, é exibido na RTR (e depois também em todo o mundo e em Portugal) um vídeo de uma câmara de vigilância que mostra o procurador-geral, Yuri Skuratov, em "trajes menores" com duas mulheres identificadas como prostitutas. Tanto Ieltsin como Primakov apressam-se logo a atacar a honestidade do procurador. Em Dezembro de 2000, O Instituto de Estudos Estratégicos, de Londres, nomeou Vladimir Putin como o grande mentor da armadilha.
Em Abril de 1999, a procuradoria geral emite um mandato de captura contra Berezovsky, por lavagem de dinheiro na Aeroflot (companhia de aviação), obrigando à fuga do magnata para a sua mansão em Espanha.
Em Maio, Ieltsin demite Primakov e Skuratov, nomeando Sergei Stepachin para primeiro-ministro. Com esta medida, o presidente vai preparando um sucessor para as eleições presidenciais de 2000 e aceleram-se os eventos que vão conduzir Putin a novo czar russo.
Em Agosto de 1999, rebeldes tchetchenos "iludidos" (segundo confessou Stepachin) invadem a vizinha república do Daguestão, levando Ieltsin a substituir Stepachin por Putin, que Ieltsin classificou de seu herdeiro. O plano, que muitos consideram ter sido elaborado por Berezovski e pela filha de Ieltsin, como o próprio magnata se vangloriava, passava por provocar uma nova guerra na Tchetchénia e usá-la para garantir a vitória de Putin nas presidenciais, algo considerado como impossível na altura devido ao desconhecimento por parte dos russos de Putin e ao facto de ser apoiado por um presidente altamente impopular.
Putin começa por conseguir expulsar os combatentes tchetchenos do Daguestão e anuncia depois que pretende formar um cordão de segurança à volta da república independentista, mas passado duas semanas já tinha invadido algumas aldeias tchetchenas para alargar o cordão, numa operação de larga-escala que não podia ter sido planeada em duas semanas. Este extremo cuidado de Putin era motivado por uma grande aversão da população russa a uma nova guerra.
É então que se dão em Setembro os atentados nos conglomerados de apartamentos de Moscovo, provocando a morte de centenas de pessoas. Estava criado o pretexto para uma nova invasão da Tchetchénia, contando desta vez com um forte apoio popular e com a complacência de vários orgãos de informação. (Recaem fortes suspeitas do envolvimento do FSB nestas acções, sendo que o The Independente, Berezovsky (após cair em desgraça), um partido liberal russo e vários analistas e investigadores já apresentaram provas incriminando este serviço de segurança. Além disso, 250 habitantes de um conglomerado habitacional de Ryazan suspeitam que o FSB estava por detrás de uma tentativa de explosão do seu prédio, uma semana após o último atentado em Moscovo. O FSB defende que tudo não passava de um exercício que os sacos encontrados na cave do edifício continham açúcar. No entanto, a polícia diz que se tratavam de explosivos. Este caso foi recentemente arquivado.
A estratégia russa passou por uma censura total aos jornalistas na república independentista, , por uma forte intimidação, jogando com as circunstâncias do meio mediático. A maioria dos jornalistas russos e estrangeiros não queria arriscar a vida na Tchetchénia, por culpa dos rebeldes que se dedicaram, após o primeiro conflito, ao rapto de jornalistas como fonte de rendimento, chegando alguns a valer um milhão de dólares. Muitos apoiavam a intervenção armada e preferiram voltar ao estilo propagandista dos tempos soviéticos (de onde muitos eram originários), classificando os tchetchenos como "cães", "bandidos" e terroristas", reportando a guerra a partir de Moscovo.
Quem arriscasse a sua vida na Tchetchénia era alvo de ameaças de morte ou mesmo alvo de rapto, desta vez por parte dos militares, como aconteceu com Andrei Babinstky da Radio Free Europe/ Radio Liberty (RFE/RL), subsidiada pelo Congresso Americano, e Anna Politkovskaya, correspondente do Novaya Gazeta e uma das mais conceituadas jornalistas russas e que se encontra neste momento exilada na Áustria.
Visto como um herói pela imprensa leal ao Kremlin e pela população, Putin venceu facilmente as eleições presidenciais de Março de 2000, após estar no cargo interinamente desde 31 de Dezembro. Como presidente, Putin tratou de centralizar em si o poder, combatendo selectivamente o poder regional, os oligarcas da era Ieltsin e várias organizações não-governamentais para assegurar a chamada "democracia controlada" e implementar a "ditadura da lei".
Putin dividiu o país em sete distritos federais, nomeando sete representantes pessoais, sendo que seis deles eram provenientes do FSB, para implementarem a Doutrina Nacional de Informação e Segurança. Segundo esta doutrina a Rússia enfrenta várias ameaças a nível interno e externo na esfera da informação e defende um fortalecimento do controlo estatal dos meios de comunicação através de um apoio financeiro directo, da criação de um grupo de jornalistas leais e de favorecendo um acesso privilegiado à informação a orgãos subservientes.
Esta centralização é apoiada por uma grande parte da população, desconfiada dos oligarcas, especialmente dos da informação, e dos barões regionais, segundo indicam vários estudos de opinião. Além disso preferem os orgãos de informação estatais (apenas uma elite mostra preferência pelos meios privados) e um terço dos inquiridos considera que a existência de meios de comunicação não-estatais é prejudicial, sendo também que quarenta por cento acha que um maior controlo do Estado sobre os media é bom para o país.
É nesta situação que Putin ataca em primeiro lugar o conglomerado Media-Most de Gussinsky, que tinha apoiado o candidato liberal Gregori Yavlinsky, nas presidenciais. Pouco tempo após a tomada de posse de Putin na presidência, forças do FSB mascaradas e armadas tomam de assalto a sede do grupo de Gussinsky e, através da complacência dos tribunais, altamente pressionados pelo Kremlin, a Gazprom (que detinha pequenas participações em cerca de trinta meios de comunicação através do seu fundo de pensões) inicia a tomada de poder na NTV e no resto dos orgãos que compõem o Media-Most.
Desde a ascensão de Putin, que este grupo mediático tentava alertar o público para um plano do Kremlin para um retorno a um regime de controlo de informação ao estilo soviético. Além disso, a NTV foi responsável pela catástrofe mediática que foi o desastre do submarino nuclear Kursk. Enquanto que os outros orgãos adoptaram de início a posição oficial do governo de que um submarino americano tinha sido o responsável pela tragédia, este canal noticiou de imediato que tinha sido a explosão de um torpedo a bordo do veículo nuclear a causa do acidente.
Putin também tratou de atacar o outro magnata poderoso dos media, Boris Berezovsky. Numa clara manobra em que o monstro se vira contra o seu criador, o presidente, que tinha demitido a filha de Ieltsin mal tomou posse, tentava agora controlar o grupo de Berezoskyk, também ele cada vez mais crítico da actuação do Kremlin. A ORT, controlada em 49 por cento por este oligarca, enquanto que o restante era estatal, a TV-6, também cada vez mais independente e refúgio para os antigos jornalistas da NTV, entretanto já alvos de purgas, e o Nezavisimaya Gazeta forma os seguintes alvos da estratégia presidencial.
Desde que tinha ascendido a primeiro-ministro que Putin e os seus assessores declaravam publicamente a necessidade de uma cobertura patriótica tanto da guerra no Cáucaso, como das principais medidas do governo, sendo que o caso Kursk levou o presidente a considerar como anti-patriótica e irresponsável a imprensa comercial, já anteriormente apelidada de meios de desinformação.
Os media regionais também foram alvo de um forte controlo, exercido pela Comissão Central de Eleições que, através da nova Lei de Eleições, tinha vastos poderes para censurar orgãos de informação e desqualificar candidatos às várias eleições regionais que tiveram lugar em 2000. O ministro para a imprensa, Mikhail Lesin, considera mesmo que, segundo a lei, os meios de comunicação não têm sequer o direito de mencionar o nome de um candidato ou partido.
A guerra da informação atingiu também as uniões de jornalistas. A União de Jornalistas da Rússia, uma organização subsidiada pelo Estado e que nunca tinha mostrado grande apoio pelos media privados, foi adoptando uma posição cada vez mais crítica em relação ao estado da liberdade de imprensa e à actuação do Kremlin neste campo, tendo declarado Lesin como inimigo nº1 da liberdade de imprensa.
O afastamento desta organização levou à criação da União-Media, formada pelo director da ITAR-TASS e por uma figura proeminente de RTR. Entre os seus objectivos, está a defesa de jornalistas democráticos e a preservação dos profissionais que não se deixam influenciar pelo controlo diário dos estrangeiros sobre a actividade jornalística. Esta organização juntou forças em Dezembro com a Liga de Jornalistas, conhecida por acusar centenas de jornalistas de estarem a ser pagos por serviços secretos estrangeiros. Como é mais que evidente, o vencedor do prémio de defensor da liberdade de imprensa no ano 2000 atribuído por esta nova associação foi nada menos que Vladimir Putin...
Em 2001, o Kremlin conseguiu retomar o controlo da ORT, tendo o novo oligarca favorito, Roman Abramovich (entretanto já caído em desgraça e obrigado a refugiar-se no estrangeiro) comprado a parte de Berezovsky neste canal. Imediatamente foram nomeados para a administração Lesin (ministro para a imprensa), Vladislav Surkov (chefe do gabinete presidencial) e outros três elementos do Kremlin. A Gazprom conseguiu também impedir que o magnata americano Ted Turner (vice-presidente da AOL-Time Warner) e outros investidores estrangeiros comprassem a NTV, conseguindo em 2002 comprar a Gussinsky a sua participação no Media Most. Também neste ano, o Kremlin conseguiu que um tribunal fechasse a TV-6, reabrindo sob o nome de TVS e com uma nova administração leal ao governo.
Além disso, o Nezavisimaya Gazeta está em risco de fecho, após um tribunal ter condenado o jornal a pagar várias dezenas de milhões de euros num processo pouco claro de difamação.
Após a Duma ter votado uma lei que impedia a participação de capitais estrangeiros nos media russos, o Kremlin, que já controla as grandes agências noticiosas russas, pretende criar um site na internet desigando Russia, a partir do Strana.ru, Vesti.ru, SMI.ru e Ukraine.ru que transmitisse informação sobre a Rússia que fosse de acordo com as directivas governamentais.
Toda esta ofensiva do poder contra os media privados pode ter também graves consequências nas restantes repúblicas da União Soviética. Os jornalistas nestes países receiam que estas acções levem os seus governos, já de si autocráticos e repressivos, a acabarem com os últimos bastiões da imprensa livre. Entre os casos mais graves está o envolvimento de Leonid Kutchma, presidente da Ucránia, no rapto e assassinato do jornalista Georgy Gongadze, que conduziu a uma contestação que quase derrubou o seu governo.
Declaro que está oficialmente aberta a versão 2.0 do Geopolítica, desta vez já com o o que faltava no http://geoplitica.blogspot.com/.